Como o sexo pode ajudar na autoestima da pessoa com deficiência - Mulheres Bem Resolvidas

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Como o sexo pode ajudar na autoestima da pessoa com deficiência

Atender as necessidades das pessoas com deficiência é natural nas famílias. Garantir que suas carências sejam atendidas não surpreende ninguém.

Ajudar a vestir-se, limpar, passear ou comer são atitudes normais. Mas a coisa muda quando as necessidades básicas são de natureza sexual.

Sexualidade em pessoas com deficiência para muitos ainda é um tabu. Embora, de acordo com os cálculos da ONU, existam mais de 500 milhões de pessoas com algum tipo de deficiência.

No entanto, existem muitos mal-entendidos e preconceitos.

Por isso é aconselhável aprender um pouco mais sobre essa parcela da população.

Nesse texto, vamos tentar esclarecer um pouco mais sobre esse tema.

Como o sexo pode ajudar na autoestima da pessoa com deficiência

A sexualidade não termina com uma lesão 

Alguns anos atrás, durante uma homenagem ao ator-diretor Christopher Reeve, a esposa dele, Dana, subiu ao palco para cantar uma música.

Antes de começar o número, ela falou sobre seu amor por Reeve, paralisado por uma lesão na medula espinhal resultado de uma queda de um cavalo.

Então, ela se virou para o marido, sentado na plateia, e sorriu secretamente para ele: “Chris? Você ainda faz isso por mim, querido!”, disse ela.

Nesse momento, Dana e Christopher Reeve disseram ao mundo o que cientistas e terapeutas sexuais já sabem: a sexualidade não termina quando uma pessoa sofre de uma deficiência. Existem centenas de maneiras de experimentar o prazer sexual.

Mesmo quando alguém aparentemente perde toda a sensação física em suas regiões genitais, os casais ainda podem alcançar proximidade sexual, prazer e até orgasmo.

Uma pesquisa da organização de caridade Scope descobriu que apenas 7% das pessoas sem deficiência namoram uma pessoa com deficiência.

Tabu

No entanto, ainda há um tabu pesado em torno do sexo e deficiência em nossa cultura.

Uma pesquisa da organização de caridade Scope descobriu que apenas 7% das pessoas sem deficiência namoram uma pessoa com deficiência.

Enquanto os jovens com deficiência ficam desapontados no que diz respeito à educação sexual, muitas vezes recebendo nenhuma ou nada apropriado às suas necessidades.

Por isso, é importante enfatizar que as pessoas com deficiência geralmente têm o mesmo nível de desejo sexual que qualquer outra pessoa, algo tão natural quanto manter o mesmo desejo de comer, rir ou a mesma necessidade de dormir.

Dessa forma, essas pessoas apresentam uma única diferença nesse caso: o sexo muitas vezes se torna um tabu e é algo que devemos quebrar.

3 coisas que você talvez não saiba sobre sexualidade em pessoas com deficiência

1. Pessoas com deficiência estão interessadas em sexo

Não é segredo para ninguém que o erotismo e a sexualidade fazem parte de um impulso vital e são considerados essenciais para o desenvolvimento e a saúde, sendo também reconhecidos como um meio de comunicação entre os seres humanos.

Mesmo assim, no caso da sexualidade em pessoas com deficiência, existem muitas limitações que a sociedade ou parentes podem lhes colocar, devido à falta de informações ou porque consideram que não têm interesse em privacidade.

Além disso, acredita-se que todas as pessoas com deficiência serão crianças durante toda a vida e isso é um erro.

Mesmo quando algumas áreas de desenvolvimento são comprometidas por cada condição, a sexualidade continua sendo uma área diferente, presente em todos os seres humanos.

Enfim, é deixado de lado que o fato que o erotismo é uma maneira de entrar em contato com os outros, experimentando sensações corporais que são percebidas sexualmente além dos órgãos genitais.

A sexualidade de pessoas com deficiência não é um fator isolado. Elas estão interessadas em namorar, casar e até sentirem-se atraídas por aspectos físicos do sexo.

2. Pessoas com deficiência também são desejadas

Como muitas pessoas sem deficiência, elas podem ter um relacionamento com outros que podem ou não ter algum tipo de incapacidade.

Além disso, existem muitos paradigmas sociais que se rompem.

Neste caso, o casal está conectado por aspectos profundos de seu ser, desejos, sentimentos, interesses.

De modo que desaparece qualquer barreira, o que é benéfico para ambos.

3. Elas podem experimentar satisfação sexual e ter filhos

Esse aspecto da sexualidade em pessoas com deficiência dependerá do nível de lesão de cada.

Alguns podem experimentar dificuldades na ereção e na ejaculação. Também pode haver uma diminuição na mobilidade dos espermatozóides, causando infertilidade.

Assim, deve-se notar que todos esses possíveis inconvenientes estão relacionados à deficiência da pessoa.

Além disso, terapias que incluem estimulação e uso de medicamentos podem ser aplicadas.

No caso de mulheres com deficiência, se houver uma lesão grave, elas podem reter o impulso do orgasmo. Também, em alguns casos, podem perder a capacidade de satisfazer. No entanto, podem conceber crianças sem nenhum problema.

Por outro lado, as pessoas com Síndrome de Down são as que mais expressam interesse em se casar e ter filhos, o que é inteiramente possível, se receberem a orientação e o apoio adequados.

Sentindo na pele

A youtuber Mariana Torquato, dona do canal Vai uma Mãozinha, sente essa dificuldade na pele.

Devido a uma complicação na gestação, ela nasceu sem o braço esquerdo e dedica seu canal à representatividade das pessoas com deficiência física.

A youtuber é de Florianópolis e, através dos vídeos, fala com bom humor e sem tabus sobre deficiências e minorias. Em seu facebook, ela fez um post sobre sexo que gerou muita repercussão positiva!

“Eu aposto que a grande maioria das pessoas que lerem esse post nunca fizeram sexo com alguém com deficiência. E não é porque somos poucos – mais de 30% da população brasileira tem alguma deficiência. Você provavelmente nunca ficou com uma pessoa com deficiência porque nossos corpos causam pena, receio, repulsa. Tudo menos tesão.”

Assim, a youtuber continua, dizendo que eles não são vistos como seres sexuais.

Posteriormente, ela conta que já ouviu amigos contando que já se sentiram atraídos por cadeirantes, mas ficaram com receio porque não sabiam como (e se) eles poderiam ter uma relação sexual.

“Como se o sexo fosse apenas aquele roteiro de filme pornô e limitado a corpos padronizados. Vai, seja sincero: acharia estranho se amanhã o Shawn Mendes ou um Cauã Reymond da vida saísse por aí assumindo uma namorada cadeirante, né? O preconceito mora aí e perceber que ele existe dentro de você é o primeiro passo para se livrar dele. Pessoas com deficiência fazem sexo sim! E gostam. E podem te surpreender”, finaliza Mariana.

Toronto Star

Barreiras da sociedade

De acordo com a escritora e ativista Penny Pepper, que escreve extensivamente sobre deficiência e sexo, incluindo em sua coleção erótica Desires Reborn: “Se as pessoas com deficiência não estão fazendo sexo, elas gostariam. E os motivos pelos quais elas não tem sexo têm a ver com as barreiras da sociedade. Conheço algumas pessoas com deficiência que [por causa disso] se resignaram a nunca fazer sexo”.

Ela continua: “Isso está errado por causa do óbvio: o sexo é divertido, possibilita a procriação e, para muitas pessoas, é vital para o bem-estar e para a autoestima. Também está errado porque faz parte de um processo de negar às pessoas com deficiência toda a humanidade, o que facilita a marginalização de outras maneiras”.

O preconceito estimulado pela cultura

Olha, a televisão e o cinema geralmente promovem mitos sobre sexualidade e incapacidade.

Por exemplo, pessoas com lesões na medula espinhal são frequentemente retratadas em filmes como homens e mulheres sexualmente frustrados, que precisam confiar na compra de sexo de uma prostituta ou se resignar a ficar sem sexo.

Enfim, nada poderia estar mais longe da verdade.

Muito mais que penetração

A sexualidade abrange a totalidade do nosso ser e não é fixada em apenas um ponto.

As pessoas com deficiência – particularmente aquelas com sensação limitada nas partes sexuais “tradicionais” do corpo – devem conversar com os parceiros sobre muitas maneiras de ter prazer erótico que não envolva a área genital.

Sensualidade e sexualidade são muito mais que os genitais.

Sobretudo, desde dar e receber toque em áreas do corpo, como a bochecha, o pescoço ou as costas da mão, até usar perfume – velas e aromaterapia – ou música, você pode usar todos os sentidos para o prazer erótico.

As pessoas com deficiência adaptaram suas zonas erógenas para responder a diferentes estímulos.

Por exemplo, alguém com paralisia pode ficar excitado com carícias nos mamilos ou massagens e sussurros nas orelhas.

Certamente diferentes sons, aromas e paisagens podem nos trazer prazer. Por exemplo, talvez você goste de descascar uvas e alimentar o parceiro.

São opções alternativas – caminhos para o prazer sexual que não envolvem a troca de fluidos corporais.

Lucinda Platt

Lições das tradições orientais

Mesmo que uma pessoa com deficiência não possa experimentar o orgasmo “tradicional”, isso não significa que a vida sexual dela acabou.

Desse modo, aceitação significa abandonar todas as suas noções antigas, como ‘sexo é igual a uma relação sexual’.

Aliás, comparação é algo que realmente acaba com um possível avanço. Quando não ficamos vinculados a velhos modos de ser, podemos permitir que o prazer aconteça.

Pessoas com deficiência podem incorporar abordagens tântricas em seus relacionamentos.

É um modelo oriental, focado na sexualidade como um estado alterado de consciência, ao invés do modelo ocidental de sexo, trabalhando em direção a uma meta.

Aliás, através dele, você pode ter um orgasmo sem precisar tocar os seus genitais.

Uma pessoa com deficiência pode tomar suas próprias decisões

A sexualidade das pessoas com deficiência está na sua própria decisão.

Devemos lembrar também que ela não se refere apenas ao ato sexual, mas também ao erotismo através da pele, para que todas as pessoas com deficiência tenham o direito de desfrutar de sua sexualidade, de maneira responsável e livre.

Para isso, é importante fornecer orientação adequada sobre doenças sexualmente transmissíveis e prevenir abusos.

Devemos fazer o possível para garantir que todos sejam considerados como incluídos.

Enfim, o principal é ensiná-los pacientemente sobre o que e como métodos contraceptivos, como a camisinha, são úteis, sempre assumindo que eles já são adultos e têm sua própria atividade sexual saudável.

Inegavelmente, a família é essencial nesse processo, é ela que deve permitir a liberdade para que essas pessoas com deficiência desenvolvam e cumpram seu desejo de fazer sexo como qualquer outra pessoa.

Assim, é primordial que ela se lembre que o sexo é tão natural quanto os relacionamentos humanos, e essas pessoas especiais serão consideradas normais, desde que a sociedade as trate como tal.

Mesmo que uma pessoa com deficiência não possa experimentar o orgasmo "tradicional", isso não significa que a vida sexual dela acabou.

Revendo nossas atitudes

Se pensarmos em um grupo de pessoas com defeitos e deficiências, elas serão imediatamente excluídas, por isso é importante rever nossas atitudes.

Por isso, devemos lutar para que a pessoa com deficiência seja protagonista de sua própria vida.

Que elas se conheçam o máximo possível, que se aceitem e sejam aceitas, com suas diferenças e peculiaridades, considerando homens verdadeiros e mulheres verdadeiras.

Elas devem aprender a expressar sua sexualidade de maneira satisfatória e viver a à sua própria maneira!

Gostou do post? Então continue no blog e confira outros artigos que também vão ajudá-la a entender mais sobre sexo, saúde e relacionamentos!

Super beijo!

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