Você já pensou em quantas vezes fica bloqueada diante de alguma situação por não saber lidar com ela? Ou então costuma agir sem pensar e se arrepende depois? Os responsáveis por isso são os sabotadores responsáveis pela autossabotagem.

Se você ainda não conhece esses vilões do autodesenvolvimento, eu vou explicar em detalhes o que eles são, como funcionam, e o que você deve fazer para combater os seus.

A autossabotagem é o ato de deixar os pensamentos negativos nos impedirem de realizar desejos e objetivos.

Ela nos faz ter dúvidas sobre a nossa capacidade, nos mantém reféns da ansiedade e do vitimismo e suga todas as nossas energias. É também um mecanismo de defesa que usamos para nos isentar da responsabilidade das nossas escolhas. 

Pense bem: é mais simples culpar o universo ou a falta de sorte se você não consegue uma promoção no trabalho, se o seu Projeto Verão nunca dá certo ou se você sempre se envolve com o cara errado. Colocar a culpa no externo é muito mais fácil que assumir as rédeas da própria vida, não acha? 

Sabe aquela famosa desculpa? Pois é, o nome dela é autossabotagem. 

Mas como parar de se sabotar?

Primeiro, você precisa saber quais são os principais sabotadores e identificar aqueles que mais te atrapalham. No livro Inteligência Positiva, o autor Shirzad Chamine apresenta os dez sabotadores que mais nos prejudicam e o que fazer para enfraquecê-los.

Este livro é uma referência no assunto. Eu recomendo a leitura quando possível, pois irá te ajudar ainda mais a manter os sabotadores sob controle. 

Neutralize o crítico em você

O primeiro sabotador é o Crítico, e esse todo mundo tem. Ele é uma espécie de líder dos outros sabotadores. O que acontece é que o Crítico está sempre lá, martelando na sua cabeça que você é cheia de defeitos, vive cometendo erros, te causa crises de ansiedade, preocupações, esgotamento físico e mental… Resumindo, ele é o seu pior inimigo. 

Como se isso fosse pouco, os outros nove sabotadores se aliam ao crítico, alguns em maior e outros em menor grau, para deixar a coisa ainda mais complicada.

No fundo, no fundo, por mais que os outros sabotadores te atrapalhem bastante, o seu objetivo tem que ser neutralizar o Crítico o máximo possível. 

Mas entenda: neutralizar o Crítico não significa parar de praticar a autocrítica, a autoanálise. Significa fazer isso de maneira consciente, avaliando suas emoções e o impacto das suas atitudes, significa evitar mergulhada no pessimismo que o Crítico traz para nossas vidas. Porque uma coisa é certa, quando não o controlamos, nós nos tornamos coadjuvantes e ele vira o protagonista da nossa própria história. 

Mas pra gente começar a neutralizar esse Crítico, é preciso saber exatamente quais são os aliados dele e como cada um age. Dessa forma você vai conseguir parar com a autossabotagem.

Os outros nove sabotadores são o Insistente, Prestativo, Hiper-Realizador, Vítima, Hiper-Racional, Hipervigilante, Inquieto, Controlador e Esquivo.

Antes de continuar, eu gostaria que você fizesse um teste para descobrir quais os principais sabotadores cúmplices do seu Crítico. 

Terminou? Vamos entender o resultado. 

No gráfico gerado após o teste, os sabotadores com numeração menor que 7 são aqueles que até te atrapalham em algum momento, mas você consegue contornar a ação deles com relativa facilidade. 

O insistente

Já os que marcaram 7 ou um número superior são os principais aliados do seu Crítico. Nos momentos em que deveria lidar com os sentimentos, refletir a respeito das suas ações e se antecipar aos problemas, você é paralisada por eles. 

Vamos falar um pouquinho a respeito de cada um?

Para você parar com a autossabotagem, saiba que o primeiro sabotador é o Insistente. 

O Insistente é pontual, metódico, sarcástico, teimoso, perfeccionista, inflexível e obcecado por organização. Esse sabotador em um nível alto faz com que a pessoa se ache a dona da verdade, ache que só ela sabe fazer as coisas direito e que tem obrigação de arrumar a bagunça dos outros, porque o que mais atrapalha a vida dele é a falta de comprometimento alheio. 

Ninguém é bom o suficiente para ele e isso gera frustração, ressentimento e desgasta o convívio com os outros. Além dessas características, as relações interpessoais do Insistente também são afetadas porque ele é rápido em criticar e julgar, mas não tem maturidade emocional para lidar com as críticas que recebe. 

O que o Insistente precisa é se desapegar dessa rigidez, da inflexibilidade, é apenas tentar relaxar, porque quanto mais ele quiser ser perfeito, mais problemas vai encontrar em si mesmo e, assim, vai continuar tentando alcançar uma perfeição que não existe. Se você tiver o Insistente muito alto, o meu conselho para você se desplugar, se afastar, curtir um tempo sozinha, não se pressionar tanto. 

O segundo é o Prestativo: aquela pessoa que tenta agradar todo mundo o tempo inteiro. Quem faz isso sente uma necessidade extrema de aceitação. Na maioria das vezes, são pessoas que esquecem de si mesmas para cuidar dos sonhos e desejos dos outros.

Prestativos

Como não conseguem expressar objetivamente seus próprios sentimentos e vontades, os Prestativos fazem insinuações para que as pessoas se sintam obrigadas a retribuir a atenção e a ajuda que ele oferece.

Por trás da fachada de desinteresse, o Prestativo se sente desvalorizado quando não é reconhecido pelas suas ações. O pior é que ele não se acha egoísta, mas, ao mesmo tempo, considera ingratidão não ser parabenizado pelo que faz.

Uma dica para quem tem o Prestativo alto é olhar mais para dentro de si, descobrir as próprias qualidades, fazer coisas que aumentem a autoestima, pois de nada adianta ficar atrás da aceitação dos outros se você mesmo não se aceita. 

O terceiro é o Hiper-Realizador, uma pessoa que precisa estar sempre em primeiro lugar e provar com frequência que dá conta do recado, pois não há nada que ela não possa fazer ou resolver – mesmo já estando esgotada tanto fisicamente quanto mentalmente. 

Esse sabotador causa uma enorme desconexão da pessoa com os seus próprios sentimentos e emoções, os relacionamentos dela são superficiais e ela morre de medo de se mostrar vulnerável. O mais triste desse sabotador é que quando a pessoa faz uma análise profunda da vida, ela costuma sentir um imenso vazio e solidão.

O próximo é a Vítima. E esse nós conhecemos bastante. A principal característica da Vítima é fazer chantagens emocionais, e quando não tem suas vontades atendidas, ela se sente altamente injustiçada e começa a agir que nem criança quando faz birra. 

As Vítimas também perdem o ânimo e desistem das coisas com facilidade, mas na cabecinha delas, elas só não terminam o que começaram porque existe uma grande conspiração para que a sua vida dê errado. Ou seja, elas nunca são culpadas de nada. 

Vítimas

Vítimas se consideram incompreendidas e ignoradas, mas não admitem que se cercam de negatividade e, por isso, seus projetos e planos nunca evoluem.

No lado oposto ao da Vítima está o Hiper-Racional. Assim como o Hiper-Realizador, o Hiper-Racional tem medo de se sentir vulnerável. Aliás, ele tem medo de sentir. 

Para ele, as pessoas dão valor demais às emoções, quando, na verdade, a razão deveria ser a prioridade. Os Hiper-Racionais são tidos como frios, fechados, com dificuldades para se relacionar em vários níveis emocionais porque não enxergam lógica em alguns sentimentos.

E qual o grande segredo para enfraquecer o Hiper-Racional? Desenvolver a empatia. Demonstrar interesse, ouvir mais e evitar julgar são bons começos para se tornar alguém mais empático. 

O sexto sabotador é o Hipervigilante. Um sabotador terrível para quem quer deixar a autossabotagem.

Seu traço mais visível é o estado de alerta constante.

Pessoas com mania de perseguição e que sofrem por antecipação costumam ser Hipervigilantes. 

Se o chefe está concentrado no trabalho, elas acham que fizeram algo errado e vão ser demitidas; quando o marido demora para chegar em casa e não atende o telefone, uma esposa hipervigilante logo acha que está sendo traída. 

Por causa disso, quase todos os conflitos que o Hipervigilante enfrenta nascem da desconfiança

Nos relacionamentos amorosos, por exemplo, a pessoa vive cheia de suspeitas sem fundamento e ciúme descontrolado. Esse é um clássico exemplo de autossabotagem.

Muitas também são consumidas pela ansiedade e se tornam improdutivas, apegando-se de forma perigosa à rotina.

O que fazer? Evitar drama e se distanciar de pessoas e situações tóxicas, parar de dar mais importância às coisas do que elas realmente têm ou merecem, ter proatividade e redirecionar os pensamentos para atividades mais enriquecedoras. 

Esses são só alguns exemplos de como manter o sabotador sob controle. 

Inquieto

O sétimo sabotador é o Inquieto. A cabeça dele nunca está no presente, mas também não se encontra em um futuro planejado. Ou seja, é uma bagunça total que só resulta em distração, procrastinação e autossabotagem.

Mas como ele faz um monte de coisa ao mesmo tempo, muitas pessoas confundem essa característica do Inquieto com dinamismo, proatividade ou engajamento. 

Só que ao contrário das pessoas que são realmente dinâmicas, proativas e engajadas, o Inquieto enrola o máximo que pode para finalizar qualquer projeto e vive assumindo responsabilidades que não dá conta de realizar. Tudo isso porque ele perde o interesse nas coisas bem no meio do caminho.

O que mais falta no Inquieto é foco, por isso, para quem tem esse sabotador muito forte, vale a pena fazer listas do que precisa ser feito, colocando cada atividade por ordem de prioridade.

O próximo sabotador é o Controlador, aquela pessoa que está sempre certa e ninguém faz nada melhor do que ela. Além de ter uma postura intimidadora, parece que está sempre pronta pra briga. Por não possuir muito tato nas relações interpessoais, muitas vezes ela é vista como grossa.

O Controlador acredita que deve estar sempre no poder, caso contrário será manipulado pelos outros.

No entanto, esse autocontrole é apenas uma fachada, pois qualquer perturbação à ordem é motivo suficiente para uma atitude desesperada.

E como controlar o Controlador? Faça duas listas: uma de coisas que te causam medos emocionais, seja a ansiedade perante o desconhecido ou a possibilidade de ficar nas mãos de alguém; e outra com aquilo que representa a liberdade para você. 

Sempre que o Controlador quiser te dominar, lembre-se como os itens na lista do medo estão bloqueando a sua liberdade. É isso mesmo que você quer?

Esquivo

Pare com a autossabotagem, conheça o último desses sabotadores: o esquivo.

Em um primeiro momento, ele é visto como menos ofensivo, pois as pessoas com um grau alto estão sempre dispostas a concentrar suas forças no lado positivo de tudo.

Mas esse comportamento é apenas um disfarce para evitar conflitos. O Esquivo não suporta confronto, sua postura otimista é só uma forma de não lidar com os problemas reais.

Os efeitos disso são mais visíveis a médio e longo prazo, quando os problemas que foram ignorados começam a se transformar em verdadeiros transtornos. Lembra da Técnica do Avestruz? Quem tem o Esquivo muito alto é mestre em enterrar a cabeça no buraco e achar que tudo vai ficar bem sem que ele precise fazer o menor esforço.