Transtorno Obsessivo Compulsivo: entenda quando a mania passa dos limites - Mulheres Bem Resolvidas

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Transtorno Obsessivo Compulsivo: entenda quando a mania passa dos limites

Nós todas temos métodos e padrões para fazermos nossas tarefas rotineiras.

Isso não só serve para otimizar o dia a dia, mas também por segurança: como lavar as mãos antes de manipular os alimentos e conferir se a porta está trancada, por exemplo.

O problema surge quando você lava as suas mãos a ponto de sangrar, ou até mesmo não consegue trabalhar em paz se não conferir cinco vezes seguidas se a porta foi fechada.

Esses são indícios do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)

Mas o Transtorno Obsessivo Compulsivo não se manifesta apenas dessa forma. Existe diferentes tipos de problemas nesse espectro — alguns só obsessivos, outros compulsivos. Há manifestações apenas na mente, outras no dia a dia, como as dos exemplos acima.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno psiquiátrico do espectro da ansiedade.

Neste post, vamos entender:

  • O que é Transtorno Obsessivo Compulsivo;
  • Qual a diferença entre obsessão e compulsão?
  • Como o TOC se manifesta;
  • Como tratá-lo corretamente.

Vamos conversar?

O que é Transtorno Obsessivo Compulsivo?

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno psiquiátrico do espectro da ansiedade. Está descrito no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM V, da Associação de Psiquiatria Americana. Caracteriza-se por crises contínuas de obsessões e compulsões. 

Em primeiro lugar, essas manias repetitivas e insistentes, que são resultados de ideias que permanecem na mente de forma repetitiva, podem começar na infância, a partir dos 3 anos de idade.

Segundo estudos, 80% dos casos de TOC diagnosticados em adultos se manifestaram antes dos 18 anos, e 50% antes dos 15 anos.

No entanto, crianças costumam ser repetitivas. Repare como elas gostam de repetir a mesma piada várias vezes ou querem que você faça uma careta específica para que continuem rindo.

Portanto, preste atenção!

Veja qual a intensidade e a frequência desses episódios e, principalmente, o que faz com que elas repitam tanto determinada tarefa.

Dessa forma, se você tem filhos e percebe que essas manias estão ficando preocupantes, não motive ou incentive esses rituais. Ao contrário: ajude a criança a enfrentar os pensamentos obsessivos e a lidar com a compulsão. Um psicólogo infantil pode ser a chave para uma infância feliz.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo é um transtorno psiquiátrico do espectro da ansiedade. Está descrito no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais – DSM V, da Associação de Psiquiatria Americana.

Qual a diferença entre obsessão e compulsão?

Entende-se obsessão como uma série de pensamentos, imagens e ideias que tomam a mente do indivíduo sem que ele deseje.

Não se engane: ter um pensamento negativo, por exemplo, é algo normal. Um indivíduo pode olhar para um carro e imaginar um acidente, ou até mesmo comprar mentalmente uma briga com um desconhecido, que acabou de cruzar com ele na rua.

O problema é quando o pensamento torna-se repetitivo, como um disco quebrado.

Aliás, o disco quebrado é o que transforma uma ideia em obsessão. Ela se repete incansavelmente na cabeça do indivíduo, sem descanso, a ponto de atrapalhá-lo em relações sociais e na sua rotina.

O pensamento intrusivo, aquela cena catastrófica que aparece na mente sem que você a deseje, é uma das características da obsessão.

Já as compulsões são as manifestações comportamentais das obsessões. Elas são como “soluções” para que o disco quebrado pare de se repetir, nem que seja por apenas um momento.

Por exemplo, é o lavar das mãos quando você sente que ainda está contaminada; é rodar a chave cinco vezes com medo de que alguém invada sua casa; é andar apenas nos quadrados pretos de uma calçada, pois caso contrário algo ruim pode acontecer com o mundo.

O problema é que, à medida que a pessoa realiza os rituais, os pensamentos obsessivos vão se agravando e se tornando cada vez mais corriqueiros.

Com isso, viram um obstáculo não só para a rotina do indivíduo, como também para a família inteira.

Superstições fazem parte do Transtorno Obsessivo Compulsivo?

Não. As superstições, aliás, são muito reforçadas pela nossa cultura.

É bem comum ouvirmos, principalmente de pessoas mais velhas, que não se deve passar por debaixo da escada ou que cruzar com um gato preto dá azar.

Há também quem prefira rituais de reforço positivo, como os três pulinhos para São Longuinho ao encontrar um objeto perdido.

No entanto, como você deve ter notado, nenhum desses comportamentos paralisa a pessoa a ponto de que ela não consiga viver sua rotina sem completá-los. Em resumo, as superstições são muito mais ligadas à fé do que ao medo.

Quanto mais cientes estiverem sobre o problema do Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais fácil será para lidar.

Como o Transtorno Obsessivo Compulsivo se manifesta?

Conheça como essas fases distintas de um mesmo transtorno tendem a aparecer:

Tipos de obsessões

As obsessões tendem a se manifestar de maneiras distintas, mas bem características.

Elas costumam causar desconforto, culpa e ansiedade no paciente. No livro “Mentes e Manias”, a psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva classifica os diferentes tipos de obsessão. Observe:

  • De agressão: medo de insultar, agredir, machucar ou ferir os outros (principalmente membros da família ou próximos) e a si mesmo;
  • De contaminação: medo de contaminar-se por sujeira, germes, vírus, bactérias e micróbios. O indivíduo evita apertar as mãos e qualquer tipo de contato físico, tem pavor de animais (por exemplo, não encosta em cachorros porque tem medo que ele tenha atacado outro animal contaminado), lava as mãos incansavelmente e teme até sair de casa;
  • De conteúdo sexual: pensamentos intrusivos (sem a vontade do indivíduo) em que esteja transando com pessoas inapropriadas ou vendo outras pessoas transando, além de situações obscenas, pornográficas e até incestuosas;
  • De armazenagem e poupança: o indivíduo tem obsessão em colecionar e armazenar quaisquer tipos de objetos. E não, não estou falando da sua coleção de perfumes, por exemplo, e sim de uma dificuldade de se livrar de qualquer tipo de tralha por medo de que ela vá fazer falta no futuro;

E mais:

  • De caráter religioso: o indivíduo tem pensamentos intrusivos de que está cometendo blasfêmias, heresias e até falando ou fazendo obscenidades dentro de uma igreja. Há também o impulso de pedir perdão diversas vezes, pois um número baixo de “pai-nossos”, por exemplo, não adiantaria;
  • De simetria: o indivíduo se incomoda com itens fora de ordem. Por isso, ele precisa colocar em prática a compulsão de alinhar objetos, roupas, quadros na parede e decoração no geral;
  • Somática: medo excessivo de ficar doente. Sabe quando a pessoa tem uma pontadinha na cabeça e já acha que está sofrendo de algo gravíssimo? Nesse caso, o indivíduo tem esse tipo de pensamento por qualquer dor, em qualquer situação;
  • Ligada a dúvidas: a pessoa não confia em si mesma e acha que não fechou a janela, não trancou a porta, não desligou o botijão de gás.

Se você notar, a palavra que guia o início de qualquer Transtorno Obsessivo Compulsivo é o medo. É por isso que, de uma simples atividade cotidiana, ele enxerga inúmeras situações catastróficas. 

Quanto mais cientes estiverem sobre o problema do Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais fácil será para lidar.

Tipos de compulsões

Já as compulsões, como vimos, são os comportamentos ritualísticos que acompanham as obsessões.

Teoricamente para afastar as ideias intrusivas, eles acabam alimentando o “monstro” do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Podem ser tanto manifestos (lavar as mãos, checar fechaduras, verificar a passagem — as conhecidas “manias”) ou encobertos como atos mentais (orações, “mantras”repetidos incansavelmente para neutralizar os pensamentos ruins).

No mesmo livro, Ana Beatriz classifica os diferentes tipos de compulsão:

  • Por limpeza e desinfecção: lavar as mãos a ponto de feri-las, tomar banhos intermináveis (de horas), usar muitos produtos de limpeza. Todos esses rituais contam com sequência de movimentos, produtos e locais lavados que, para o indivíduo, obedecem a uma lógica;
  • Por ordenação e simetria: organizar objetos tortos, guardar itens sempre da mesma maneira, posição e obedecendo à simetria de outros objetos. Nesse caso, não falo de otimizar a arrumação, e sim de quem gasta muito tempo apenas arrumando uma gaveta. No caso da simetria, há também a questão do toque: se o indivíduo encostou o braço direito no armário, deve encostar o esquerdo também;
  • Por verificação e checagem: conferir janelas, portas, botijões de gás, passagem, dinheiro, se o filho chegou da escola, se o marido está em casa;
  • Por contagem: o indivíduo conta até determinado número, em ordem crescente e decrescente, para que o pensamento ruim saia;

E mais:

  • Por colecionamento: o indivíduo junta todo tipo de tralha dentro de casa. Quando a pessoa chega a um estágio grave, torna-se acumulador — um transtorno diferenciado do
    Transtorno Obsessivo Compulsivo;
  • Por repetição: entrar e sair pela mesma porta, ligar e desligar o interruptor, escrever, apagar e e reescrever a mesma frase várias vezes;
  • Mental: são mais difíceis de identificar, pois são “escondidos”. O indivíduo repete mentalmente frases e orações para neutralizar seus pensamentos;
  • Manias diversas: só vestir roupas de determinada cor (ou não usar a cor preta), usar branco em dias santos, usar a mesma roupa em véspera de provas, usar a mesma camisa na final de um campeonato, comprar determinado item na mesma cor. Até as manias simples são consideradas rituais compulsivos.

Outro tipo de manifestação compulsiva é a aritmomania, em que o indivíduo tem necessidade de contar todos os objetos e ações ao seu redor.

Por exemplo, subir uma escada contando os degraus. Você já viu o personagem Sheldon Cooper, da série The Big Bang Theory? Ele é um exemplo de quem sofre com o problema.

Qual a linha entre a mania e o Transtorno Obsessivo Compulsivo?

A linha do Transtorno Obsessivo Compulsivo é tênue, pois é muito difícil definir quando a mania pode se transformar em TOC. Como você viu ali em cima, ela não deixa de ser um ritual compulsivo.

O fator principal é se a mania é causada por um pensamento intrusivo e começa a atrapalhar a rotina da pessoa.

Pergunte-se: consigo viver tranquilamente sem fazer esse ritual? Preciso fazê-lo mais de uma vez? Por que faço isso?

Se você confere se sua passagem está correta mesmo acabando de colocá-la no bolso, pode ser apenas uma mania.

Mas caso você faz isso diversas vezes porque sua mente não para de perturbar, pode ser Transtorno Obsessivo Compulsivo.

A palavra que guia o início de qualquer Transtorno Obsessivo Compulsivo é o medo.

Transtorno Obsessivo Compulsivo é loucura?

Não. Primeiramente, se formos analisar um manual de psiquiatria, todo mundo tem algum transtorno mental. Portanto, pode ficar tranquila. “Loucura”, aliás, é um termo ultrapassado por ter uma conotação ofensiva.

No entanto, quando se fala em loucura, muitas vezes estamos nos referindo a uma patologia em que o indivíduo não tem consciência de que aquilo que está acontecendo é apenas produto da mente, como a psicose e a esquizofrenia.

A maioria das pessoas que sofrem de Transtorno Obsessivo Compulsivo tem completa ciência de que aquilo é produto da sua cabeça, mas realizam os rituais por causa da ansiedade.

É possível tratar o Transtorno Obsessivo Compulsivo ?

O Transtorno Obsessivo Compulsivo não tem cura, mas não se preocupe: é possível ter uma vida plena e feliz!

Primeiramente, reconheça o problema. Não é necessário ter vergonha, já que todos temos adversidades. Se você procurar resolvê-los, vai ter orgulho de sua coragem. Esse passo, aliás, pode motivar outras pessoas próximas a procurar ajuda psicológica.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo pode ser tratado com ou sem medicamentos.

Resumindo, você pode procurar um psicólogo ou um psiquiatra para tratá-lo. O tratamento, aliás, pode ser com as duas especialidades.

Falando em tratamento sem medicamentos, a terapia cognitivo-comportamental tem eficácia comprovada contra o Transtorno Obsessivo Compulsivo. É uma abordagem da psicoterapia em que o terapeuta expõe a paciente à situação que gera ansiedade.

Mesmo assim, não se preocupe: ele começa de maneira branda e, com o avanço do tratamento, vai para situações mais desencadeadoras do transtorno.

Já na terapia com medicamentos, a paciente utiliza antidepressivos inibidores da recaptação de serotonina, os únicos com efeito no combate ao Transtorno Obsessivo Compulsivo.

A palavra que guia o início de qualquer Transtorno Obsessivo Compulsivo é o medo.

Conclusão

Esteja cercada de profissionais que possam esclarecer a você e sua família as características da patologia.

Quanto mais cientes estiverem sobre o problema do Transtorno Obsessivo Compulsivo, mais fácil será para lidar. E, novamente, repito: não tenha vergonha. Seja feliz! Você é muito mais que alguém que sofre de TOC!

Tirou as suas dúvidas sobre o Transtorno Obsessivo Compulsivo? Quer saber mais sobre saúde, sexo e relacionamentos? Navegue no blog e descubra novos artigos sobre os assuntos!

Beijo!

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