Você está por dentro do Outubro Rosa? Essa data tão especial veio para conscientizar sobre o câncer de mama, o tipo de neoplasia que mais ataca mulheres no Brasil e no mundo, perdendo apenas para os de pele. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), a estimativa é de que haja 60.280 casos só em 2020. Então, toda mulher precisa saber como se faz o autoexame câncer de mama, não só para se cuidar e procurar tratamento, mas também para orientar mães, avós e amigas.

Neste post, você vai saber:

  • O que é Outubro Rosa;
  • Sinais de suspeita do câncer de mama;
  • Fatores de risco;
  • Como fazer o autoexame das mamas.

Vamos lá?

O que é o Outubro Rosa?

É uma campanha de conscientização mundial sobre o autoexame para o câncer de mama. Como dito, a neoplasia das mamas é o segundo tipo que mais atinge as mulheres no planeta inteiro. Além disso, diferentemente dos tumores cutâneos, a letalidade do câncer mamário é mais alta. Portanto, a prevenção é fundamental. 

O movimento parece ter recebido fama recente, mas surgiu em 1990, quando aconteceu a primeira Corrida pela Cura, em Nova Iorque — desde então, promovida anualmente na cidade. Mas apenas em 1997 entidades de Yuba e Lodi (EUA) começaram a promover atividades voltadas ao diagnóstico e prevenção ao câncer de mama outubro como epicentro das ações.

Já no Brasil, a primeira manifestação do movimento foi em 2 de outubro de 2002, com a iluminação em rosa do monumento Mausoléu do Soldado Constitucionalista (mais conhecido como o Obelisco do Ibirapuera), em São Paulo. Nessa data comemorava-se os 70 Anos do Encerramento da Revolução.

O Outubro Rosa é simbolizado pelo laço, que estimula a participação da população, empresas e entidades à prevenção e luta contra a doença. 

Quais são os sinais de um provável câncer de mama?

Estes sinais que vou relatar não são um diagnóstico preciso de câncer — não se apavore, viu? Mas se você notar um ou mais um deles, procure por um médico para se certificar sobre o que se passa com seu corpo.

Mas, vamos lá. Os principais sinais do aparecimento de um câncer de mama são:

  • aumento progressivo do tamanho da mama com a presença de sinais de edema (inchaço ou retenção de líquidos);
  • em mulheres adultas de qualquer idade, nódulo nas mamas de consistência endurecida e fixo ou que vem aumentando de tamanho;
  • nódulo nas mamas que persistem por mais de um ciclo menstrual de mulheres com mais de 30 anos;
  • eczema (inflamação da pele) que não responde a tratamentos tópicos (aplicados na pele);
  • dores localizadas, coceira e ardência na região das mamas ou das axilas;
  • qualquer nódulo nas mamas de mulheres com mais de 50 anos;
  • retração na pele da mama, com aparência de casca de laranja;
  • homens com mais de 50 anos com tumor palpável unilateral;
  • uma das mamas apresenta secreção com sangue;
  • presença de nódulos nas axilas ou no pescoço;
  • mudança no formato ou inversão do mamilo.

O nódulo fixo e geralmente indolor é a principal manifestação do câncer de mama — também segundo o INCA, o caroço aparece em aproximadamente 90% dos casos em que a própria mulher percebe. É por isso que o autoexame das mamas é tão importante.

Quais são os maiores fatores de risco para o câncer de mama?

Não existe apenas uma causa por trás do câncer, embora o maior seja a idade — cerca de quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos, e ele é muito raro antes dos 35. Os outros fatores variam entre comportamentais, hormonais/reprodutivos e genéticos:

  • reposição hormonal pós-menopausa, principalmente por mais de cinco anos;
  • casos de câncer de mama na família, principalmente antes dos 50 anos;
  • alteração genética, especialmente nos genes BRCA1 e BRCA2;
  • uso de contraceptivos hormonais (estrogênio-progesterona);
  • histórico familiar de câncer de mama em homens;
  • obesidade e sobrepeso depois da menopausa;
  • primeira menstruação antes de 12 anos;
  • histórico familiar de câncer de ovário;
  • primeira gravidez após os 30 anos;
  • exposição frequente a raios-X;
  • consumo de bebida alcoólica;
  • menopausa após os 55 anos;
  • não ter tido filhos;
  • sedentarismo.

A mulher que tem um ou mais fatores genéticos ou hereditários é considerada com risco elevado para desenvolver câncer de mama. No entanto, esses casos correspondem a apenas 5% a 10% do total de casos da doença. Então, se você está nesse grupo de risco, é preciso ter atenção a qualquer mudança corporal e seguir fazendo seus exames. Mas não há motivos para ficar apavorada, certo?

Como fazer o autoexame das mamas?

O Ministério da Saúde, o INCA e a Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM) não fazem mais especificações sobre o autoexame das mamas. Os órgãos preferem orientar a mulher a apalpar seios e axila sempre que se sentir confortável, sem especificação de tempo, técnica ou duração. Essa decisão vem do fato de que mais pacientes descobrem nódulos casualmente do que no autoexame mensal.

No entanto, um autoexame completo é também um momento para a mulher parar e observar seu próprio corpo — muitas vezes negligenciado pelas tribulações do dia a dia. Então, não deixe de tentar.

Um autoexame de mamas completo deve ser realizado em três etapas: em frente ao espelho, durante o banho e deitada. Para cada caso, siga um protocolo diferente. Pode parecer bobagem, mas a pele das mamas se move com o corpo. Portanto, uma anormalidade pode passar despercebida.

Veja as minhas dicas e faça já seu autoexame de mama:

Recomendações gerais

O autoexame de mama é indicado para todas as mulheres a partir dos 20 anos. Mas como os seios podem ficar inchados antes e durante o período menstrual, o ideal é que você faça 7 dias depois do início do sangramento. Mas se você já estiver na menopausa, escolha uma data fixa todos os meses.

Em frente ao espelho

Este é o momento de observação. Nos dois seguintes, o exame será prático, com toque.

Primeiramente, tire a blusa e o sutiã e coloque as mãos na cintura.  Então, comece a verificar o detalhes da mama, como o tamanho, o formato e o contorno, observando se há alterações na pele, auréola ou no mamilo. 

Agora, solte os braços ao lado do corpo e observe se houve alterações. Levante os braços e faça as mesmas observações. Por fim, pegue o sutiã e veja se existem marcas em apenas um dos lados (o que pode indicar edema).

Durante o banho

A pele ensaboada permite que as mãos deslizem com mais facilidade, aumentando as chances de detectar algo estranho nos seios.

Em pé e com a coluna ereta, coloque a mão esquerda atrás da nuca, com o cotovelo apontado para cima. Comece a apalpar o seio esquerdo com a mão direita, usando a ponta dos dedos. Inicie na axila e siga em direção ao mamilo, verificando se há regiões mais duras ou com nódulos palpáveis. Faça os mesmos movimentos e observações nas axilas.

Os movimentos devem ser circulares e firmes, mas sem causar dores.

Pressione delicadamente o mamilo para verificar se sai algum líquido de origem desconhecida. Depois, siga o mesmo passo a passo no lado direito.

Deitada

Na cama, ponha um travesseiro fino debaixo do ombro esquerdo e leve a mão esquerda para trás da cabeça. Use a mão direita para apalpar a mama esquerda e fazer movimentos circulares com a ponta dos dedos. Verifique as mesmas anormalidades do tópico anterior.

Terminou? Agora, coloque o travesseiro embaixo do ombro direito e repita o passo a passo do outro lado.

Além do autoexame, o que fazer?

O autoexame das mamas não substitui o exame clínico! Isso porque, infelizmente, ele não é capaz de detectar tumores com menos de 1cm. Resumidamente, ele não é capaz de detectar lesões pré-malignas — aquelas bem pequenininhas, que ainda não se tornaram câncer propriamente dito e são bem mais fáceis de tratar.

Mas isso significa que você não deve fazer o autoexame das mamas? De jeito nenhum! Você deve seguir as orientações que eu te passei ali em cima. No entanto, ela não substitui o exame clínico.

A partir dos 40 anos, você deve fazer anualmente o exame clínico das mamas. Já quem tem entre 50 e 69 anos e é de baixo risco (sem  fator genético/hereditário) deve se submeter à mamografia a cada dois anos, pelo menos. Por fim, mulheres consideradas de alto risco (com histórico familiar de câncer de mama em parente de primeiro grau antes dos 50 anos) devem procurar acompanhamento individualizado.

Se você sentir alguma coisa estranha, procure por um ginecologista ou mastologista, que solicitará mais exames para tirar as dúvidas.

A melhor maneira de prevenir o câncer de mama é com uma rotina de exercícios e alimentação saudável. Então, não negligencie sua saúde!

Quais os outros meses especiais do calendário?

Além do Outubro Rosa, existe também:

  • Janeiro Branco: cuidados com a saúde mental
  • Maio Amarelo: prevenção de acidentes de trânsito
  • Setembro Amarelo: prevenção ao suicídio
  • Novembro Azul: saúde do homem, com ênfase na prevenção ao câncer de próstata
  • Dezembro Vermelho: conscientização sobre os riscos e tratamento da Aids e outras infecções sexualmente transmissíveis (IST)

Pronta para fazer o autoexame das mamas? Para mais dicas sobre saúde, sexo e comportamento, continue acompanhando nosso blog!

Texto de Cátia Damasceno

Cátia Damasceno é Fisioterapeuta especializada em uroginecologia, coach, palestrante e idealizadora do Programa Mulheres Bem Resolvidas.