Você já reparou que aquela coceirinha na vagina só acontece na hora mais imprópria do dia? Você está no trabalho, dentro do ônibus ou em um ambiente público e, de repente, começa aquele comicho. Ui! Mas o problema é que, quando associada a outros sintomas, como diferentes tipos de corrimento, pode ser um problema mais grave na sua saúde íntima.

A saúde vaginal é essencial para a qualidade de vida da mulher. Portanto, se você sente coceiras ou nota diferentes tipos de corrimento saindo da sua vagina, pode ter notado as primeiras manifestações de alguma patologia. Neste post, vamos entender:

  • o que podem ser as coceiras vaginais;
  • o que são corrimentos e se é normal tê-los;
  • o que pode causar corrimentos;
  • quando os tipos de corrimento podem ser indícios de um problema maior;
  • quais são os tipos de corrimento;
  • como tratá-los.

Vamos lá?

O que podem ser as coceiras nas partes íntimas?

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Uma coceira pode ser algo normal. Afinal, quem não coça os braços ou pernas de vez em quando? Mas quando ocorre com frequência ou intensidade, é preciso ficar atenta. E se essa coceira estiver associada a diferentes tipos de corrimento — amarelado, mais talhado, acinzentado —, as chances de que haja um problema mais grave aumentam. 

Entenda o que pode estar por trás da coceira vaginal:

Candidíase

Infecção vulvovaginal, a candidíase é o tipo mais comum de vaginite aguda nos países tropicais. A patologia é causada pelas várias espécies de Candida, fungos comensais (ou seja, que vive em outro organismo sem causar danos) das mucosas vaginal e digestiva, que podem tornar-se patogênicos quando algumas condições alteram a região. 

Estima-se que 75% das mulheres, em algum momento, vão apresentar algum episódio de candidíase, mas que que 20 a 25% apresentam colonização assintomática. 

Além da coceira interna e externa, a candidíase também apresenta:

  • leucorreia: corrimento branco ou amarelado e um pouco espesso,que pode ter ou não mau cheiro);
  • pele rachada ou escoriações próximas à vulva;
  • leve inchaço dos lábios vaginais;
  • dor durante relações sexuais;
  • dor ou ardência ao urinar.

Se você tem vagina, está suscetível à candidíase vulvovaginal. Porém, alguns fatores podem desencadear o problema em pessoas que estão com seu sistema imunológico alterado:

  • usuárias de contraceptivos orais de altas doses e a terapia de reposição hormonal;
  • quem sofre de imunodeficiência por HIV;
  • usuárias de corticoides ou antibióticos;
  • quem está no período menstrual;
  • quem sofre de estresse;
  • transplantadas;
  • diabéticas;
  • gestantes.

Acredita-se que hábitos de higiene inadequados também podem causar candidíase pela contaminação vaginal. Um exemplo muito conhecido é a limpeza vaginal: sabe quando você vai se limpar e esfrega o papel higiênico do ânus para a vagina? Isso é errado! Dessa forma, você leva micro-organismos e até resíduos de fezes para a vagina, favorecendo o desenvolvimento da candidíase.

Além disso, o uso de roupas íntimas justas e sintéticas (aquelas que não são de algodão) deixam a região vaginal muito abafada e úmida, o que também favorece a candidíase.

Vaginose bacteriana

Além de fungos, a vagina apresenta outros tipos de micro-organismos, como as bactérias. Faz parte de uma flora vaginal rica, que permite que o corpo trabalhe de maneira saudável e protegida. No entanto, quando há um desequilíbrio, essas bactérias ou fungos acabam se reproduzindo descontroladamente e podem causar alguma infecção.

Uma delas é a vaginose bacteriana, causa mais comum para corrimento vaginal durante a idade reprodutiva — mas para a maioria das mulheres, o problema é assintomático. 

Odor forte (que lembra peixe podre), aumento e mudança da cor do corrimento (para branco ou meio acinzentado) são alguns dos sintomas. A vaginose é mais fácil de perceber após a menstruação e a relação sexual.

Tricomoníase

É uma infecção da região genital causada por protozoário, que deixa o corrimento amarelo-esverdeado e com cheiro desagradável. Nos homens, é assintomática; já as mulheres apresentam incômodos em sua maioria. 

Além da coceira e do corrimento, a tricomoníase causa dor na hora de urinar e durante o ato sexual.

Gonorreia e clamídia

São duas infecções sexualmente transmissíveis (IST) extremamente comuns. Para você ter uma ideia, a clamídia é a IST mais comum no mundo, mas a maior parte dos infectados é assintomática. Ambas causam os mesmos problemas, tanto que é praticamente impossível diferenciá-las sem o exame médico.
Em metade dos infectados, a gonorreia e a clamídia afetam o colo do útero e causam dor no baixo ventre. Além disso, apresentam dor durante o ato sexual ou corrimento vaginal purulento. 

Menopausa

A camada interna da vagina é formada por tecidos que dependem do estrogênio para ter força e resistência. Quando a menopausa aparece, há uma queda drástica da produção hormonal, o que deixa essa camada mais fina e frágil, resultando na vaginite atrófica ou atrofia da vagina.

A vaginite causa ressecamento e afinamento dessa mucosa, que deixa a região mais propensa a ferimentos e irritações. Como consequência, há secura vaginal, coceira e dor durante o ato sexual.

Quais são os sinais de alerta da coceira vaginal?

Os sinais que devem te deixar alerta são, além da frequência e da intensidade, o surgimento de dor e de tipos de corrimento vaginal diferentes do transparente. Nesse caso, você deve procurar um ginecologista urgentemente.

O que são os corrimentos?

Corrimento é o nome dado às secreções fluidas que saem da vagina. O tipo natural é produzido por glândulas no canal vaginal e ajudam na eliminação de células mortas e bactérias do sistema reprodutor. Então, ele mantém o canal vaginal limpinho e previne infecções.

É normal ter corrimento?

Sim. O corrimento é algo comum é constituído de muco cervical — uma secreção produzida pelo colo do útero que impede que as bactérias vaginais entrem no útero —, além de células e micro-organismos da região. Ele costuma ser inodoro, leitoso ou transparente. 

A leucorreia fisiológica (aquela que não é sinal de doenças) acontece por diversos motivos, como ovulação, gestação ou uso de contraceptivos hormonais. Durante o período fértil, o muco cervical da sua composição também ajuda o também o espermatozoide a alcançar o útero, por isso ele tem essa característica espessa e elástica. 

Quando for ao banheiro e perceber aquele corrimento transparente durante o período fértil, pode ficar tranquila: é só o seu corpo se preparando para fertilizar.

Então, esqueça essa história de terminar o dia com a calcinha limpinha; isso não existe! Uma coloração diferente é normal até para que você perceba a saúde da sua vagina.

Mas se os tipos de corrimento que aparecem na sua calcinha costumam ter cheiro forte, cor esverdeada ou acinzentada e é acompanhado de coceiras, consulte seu ginecologista, certo?

O que pode causar corrimentos?

Além da questão fisiológica e das patologias citadas, alguns problemas que podem causar diferentes tipos de corrimento são:

  • alergias: que podem aparecer com espermicidas, perfumes, lubrificante do contraceptivo, sabonetes ou produtos de higiene íntima;
  • ectopia: quando parte do tecido do canal endocervical se inverte e fica exposto à vagina;
  • absorvente interno ou camisinha “perdida” dentro da vagina;
  • vulvovaginite causada pela bactéria Streptococcus;
  • roupa íntima apertada ou com tecidos sintéticos;
  • uso de substâncias alcalinas, como a amônia;
  • sabonetes e perfumes íntimos;
  • alergia a sêmen (causa rara);
  • infecção pelo verme oxiúrus;
  • doença inflamatória pélvica;
  • câncer do colo do útero;
  • tricomoníase vaginal;
  • clamídia e gonorreia;
  • higiene inadequada;
  • infecção pelo HPV;
  • duchas vaginais;
  • herpes genital;
  • atrofia vaginal;
  • dermatoses.

Quando os tipos de corrimento podem ser indícios de um problema maior?

Preste atenção se o seu corrimento apresenta as seguintes características:

  • cor diferente do tom esbranquiçado ou transparente, como amarelo, verde, cinza;
  • quantidade mais abundante que a habitual;
  • grumos, como leite coalhado;
  • odor forte ou desagradável;
  • Consistência mais densa;
  • coceira, ardência ou dor;
  • sangue;
  • pus.

Quais são os tipos de corrimento?

Como eu te disse lá em cima, o mais comum e saudável é o transparente, que avisa sobre o período fértil e ainda deixa a vagina limpinha. Mas existem outros tipos de corrimento que podem esconder problemas mais sérios. Olha só:

  • corrimento branco: quando fino, em pouca quantidade e próximo do período ovulatório, é normal. Depois de alguns dias, ele ficará transparente. Mas quando aparece espesso, pastoso, leitoso, com grumos e associado a coceira, mau cheiro e dor vaginal, pode ser sintoma de vaginose ou candidíase;
  • corrimento marrom: aparece em qualquer situação que cause sangramento vaginal ou uterino, como restos de menstruação, traumas na região vaginal ou uterina, infecções, tumores e gravidez ectópica;
  • corrimento amarelado ou amarelo-esverdeado: é um dos tipos de corrimento associados a infecções, , principalmente quando é acompanhado de mau cheiro, ardência e coceira vaginal; 
  • corrimento acinzentado: também pode ser sintoma de infecções, principalmente quando relacionado aos sintomas do corrimento branco;
  • corrimento com mau odor: é comum em infecções vaginais, como vaginose bacteriana e tricomoníase.

Como tratá-los?

Como você viu, são diferentes os tipos de corrimento. Então, não há como especificar um tratamento. Só o exame e o diagnóstico do ginecologista serão capazes de determiná-lo. 

Mas independentemente de ter coceira ou tipos de corrimento diferentes aparecendo no seu corpo, é essencial ir ao ginecologista frequentemente. É ele quem vai avaliar a saúde do seu sistema reprodutor. Então, não deixe de visitá-lo pelo menos uma vez ao ano para realizar exames de avaliação e rotina..

Vagina não serve só para o prazer, hein? Cuide de sua saúde, amiga!

Viu como a coceira e os diferentes tipos de corrimento podem ser um alerta de algo estranho na sua vagina? Para mais conteúdos sobre sexo e bem-estar, continue acompanhando nosso blog! 

Texto de Cátia Damasceno

Cátia Damasceno é Fisioterapeuta especializada em uroginecologia, coach, palestrante e idealizadora do Programa Mulheres Bem Resolvidas.